O termo “subiu para o cento e onze” é uma gíria de favela. A expressão se deu após o dia onze de setembro de dois mil e um. O símbolo máximo norte-americano queimava e no oriente médio o povo explodia em festa. Vi a torre em chamas. O rosto pasmo sem acreditar na possibilidade de um incêndio. Surgiu outra aeronave no céu de Manhattan e bummm, atinge a torre norte do World Trade Center. Pronto. A terceira guerra mundial ia começar em poucos dias.
Senti uma vibração afegã. Não sabia de que lado estava. O xenofobismo dominou minha alma. Tinha raiva de ser chamado de jungle boy (garoto da selva), de ter minha capital confundida com Buenos Aires. O mapa do mundo usado nas escolas deles, a Amazônia está aos cuidados da América do Norte. A forma de ignorar dos americanos, o seu próprio continente, me frustra. A Central e a do Sul não existem, e só dão bola para o Caribe. Imagino o Lula nestas convenções mundiais e chega perto de um Obama e escuta, “você é o cara”. Fez tanto sucesso que quase virou filme de Hollywood. Acabo de crer que os sulistas do continente americano são como cães vira-latas. Um cafuné no dorso e se torna amigo fiel. Jogam o pau um pouco mais longe e gritam: - vá buscar. O cachorrinho corre e no pé do ouvido o cochicho entre estadistas: - Pobre coitado.
Onde estão seus heróis. Eu pensava. Capitão América e os ordeiros da Liga da Justiça. O homem Aranha. O Rambo e o Exterminador do Futuro. O planeta viu uma nação vulnerável e sem preceitos. A guerra desabrochou críticas e dúvidas sobre a real função da ONU. A fúria Norte- Americana se quer foi contida. O terror invadiu o Afeganistão e Iraque. Olho por olho dente por dente.
A minha vida e a sua mudou depois do onze de setembro. Davi acertou Golias e o derrubou. O gigante da economia mundial enfrenta hoje a segunda crise em menos de três anos. Crise imobiliária e bancária. A inadimplência é astronômica. Os desacreditados multiplicam-se a cada dia. O descrédito aumenta. O chapéu do Tio Sam caiu ou foi arrancado num tapa. O narigudo capitalista após dez anos deu a resposta que o cidadão precisava. A morte do arquiteto dos ataques. Foi o dia de festa do povo ianque. A comemoração nas ruas e todos na incerteza do que vibravam, se a guerra a ser batida começava naquele instante. Crise. Crise. Crise.
O sol vem caindo no horizonte e sinto uma imensa vontade de desabafar. É pelas famílias atingidas. A culpa não foi de cada alma que trabalhava naqueles prédios. Três mil mortos. O Pária saudita. A culpa é única e exclusiva do ego humano. Egoísmo. Egocentrismo humano. O povo pulava do centésimo andar na vontade de se salvar. Os bombeiros obstruíam as escadas na ânsia de salvar vidas. Mataram. O combustível da aeronave escorria escada abaixo. Gente correndo sem rumo. Transmissão ao Vivo e em HD. Também via celular.
Admiro a persistência norte-americana. A reconstrução. Fizeram o que tinha de ser feito. Enterraram os mortos. Hoje sinto uma saudade dos que partiram em busca do sonho Americano. Naquela época sentia raiva dos Estados Unidos por oferecer possibilidades que nem num futuro distante teremos no Brasil. A visão de hoje é completamente diferente. Antes eu tinha um sentimento de inveja, queria ser a potência que eles são. Infeliz nacionalista. Eu acreditar no meu país. A impunidade. A corrupção. A herança genética do Tiquim. Tiquim europeu. Tiquim africano. Tiquim indígena. Infelizmente temos que conviver com os absurdos e lutar para sermos uma nação prospera. E torcer para que a economia deles se recupere e ganhe força, pois dependemos piamente da saúde econômica norte-americana.
Nova York levanta novas torres no borough de Manhattan. Sobre a gíria “subiu para o cento e onze” é o seguinte; as torres tinham cento e dez andares cada, portanto o pavimento cento e onze é o céu.