sexta-feira, 15 de abril de 2011

O bullying do bullying


O bullying do bullying, vi hoje. Um amigo e eu após o rega-bucho chegamos à tabacaria pra completar o círculo vicioso. Ler capas de revistas e pitar um cigarro é sagrado no horário do almoço. O corpo sensual na revista reteve pouco a atenção. Na minha frente uma mão rápida apanhou o exemplar. O sujeito parecia apressado. Arrancou um bolo de notas e umas moedas. Pagou. O óculo pendurado no nariz, a pinta no queixo e a lagartixa no pulso do relógio me transportou no tempo.
Viajei no cheiro de giz ainda gravado na memória. Recordo bem a sala da oitava série. A professora de história. O cantinho reservado da bagunça lá no fundo. O banco da frente para cdf e nerd. O resto da sala para quem não estudava. Lembro que o bicho no braço do rapaz lá da banca era por ventura um lagarto. E o nerd da escola o próprio. Sei lá porque cargas d’água ele surtou e cravou a tatoo no punho. Ficou legal. E sei que naquela época o fumante ao meu lado teve a ideia de brincar com a situação. Do contrario, ganharíamos uma saudação de boa tarde ou coisa assim.
Sou péssimo de nomes, mas a ciência popular cria ferramentas para preencher estas falhas. Os apelidos. - Lagartixa. Disse meu amigo. Lembra-se dele? Ouvi calado. O apelido lagartixa pegou e o sujeito nunca mais olhou na nossa cara. Ficou revoltado. Na faculdade, formou em odontologia. Seguiu profissão. E bem sei que teve muito êxito.
A cena a seguir foi mesmo digna de um filme. O partir do ex-colega e o olhar do meu amigo o acompanhando. Minha boca arreganhou nos dois cantos, oriente e ocidente, prevendo a piada.  Antes de por a mão na maçaneta insurgiu do âmago do meu amigo a exclamação: “Óh, o filho da puta tá dirigindo um TT”. Silêncio eterno de um segundo. A gargalhada do motorista foi de raiva, prazer, vingança. Os olhos dele certamente correram em direção ao passado. O carro preto partiu devagar estalando no sol. Os vidros escuros foram subindo.
A verdade que eu não gostaria de registrar aqui a revanche de bullying do bullying praticado pelo meu amigo. A terra é redonda e a história passa por duas vezes a sua porta. Se você bate, amanhã apanha. Se estiver apanhando, um dia bate. A virada de mesa vem de qualquer jeito na vida. A fórmula certa é esperar e agir sutilmente. Fica mais bonito uma tirada precisa. Quem apela, nem sempre obtém o melhor resultado.  Entenda, nem sempre é nunca. E convenhamos, o apelido pode ficar pra vida inteira. Pelé ser chamado de Rei Édson? Não dá. O bituca, se revoltar e nunca chegar a ser o Seu Milton Nascimento. E o Lula, sofreu bulling quando candidato a presidência do Brasil mesmo faltando um tentáculo... ops, um dedo. Não sei a real do BULLYING.

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