quarta-feira, 18 de maio de 2011

Real ou Imaginário

No domingo estou numa desilusão a pensar o casamento real. A aliança pelo dedo de uma noiva sorridente. Duas pessoas que se combinam em partes tão diferentes. O destino selado. Os costumes também. Rumo ao desconhecido. Somente quem pratica o tal ato, sabe que o casamento real por si só é fantasia. Entretanto felizes vivem os iludidos. Aqueles que acreditam e fazem tudo nos conformes. Chaves no bolso na hora de ir para casa em plena luz do luar. O resto é pagar. Contas do mês. Prestação da casa. O cachorro. O enguiço do carro. O primeiro filho. Por aí vai uma ruma de compromissos.
O chefe de família sempre acorda atormentado e pensa no futuro. No canto da cama solitário resta um suspiro profundo, de saudade da libertinagem. Os amigos no bar. A casa da mãe. O telefone das amantes esperando para amar. E uma última recordação. A despedida de solteiro. É o que resta.
Imagine um príncipe pagando a conta do gás. Enfrentando fila corpo a corpo com os vassalos. Difícil? Também acho. Verídico disso é que a despedida de solteiro é real. Um tio maluco sempre aparece e é coautor de tudo. Ele liga para seus amigos mais fieis. Marca a boate. Contrata as modelos. O Buffet regado a garrafas de rótulos internacionais. Uma despedida de príncipe mesmo, mesmo sabendo que você não o é.
Uma boate exclusiva em Istambul. Mulheres lindas com bocas fartas, escandinavas. Garçonete indiana de roupa típica rodando o salão. Tudo para o seu bel prazer. Mariachi mexicanos a meia noite. O poli da Gogo-girl norte americana. Meia dúzia de modelos alemãs. Mariscos portugueses em uma bandeja de porcelanato francês. Cestas de castanhas e amêndoas importadas da Amazônia. Orientais servindo frutas dos trópicos num harém na varanda. É a globalização. Dançarinas do ventre entrando num momento crucial da festa. Olhos atentos nas formas a bailar das espanholas. Um filme sem cortes sem corte. Lá pelas seis da manhã toma a cena por um instante as mulatas brasileiras sacudindo num fritar do chão. Os pés tocam espaços diferentes a milésimos de segundos. Um brinde especial ao anfitrião irreal.
Contudo só resta ir para casa ou castelo. Acordar cedo no outro dia escovar os dentes naquela ressaca e ver no espelho um homem com ressaca, mas livre. É claro, por pouco tempo. Aparatos da realeza. Cavalos. Carruagens. Carros antigos. Prédios antigos. Sei que não. Casamento não é real. Nós somos ou eles são imaginários. A coincidência entre os tronos é que lá fora, alguém esmurra a porta, a espera de defecar. O jeito é ir, pois o antônimo de beijo é virar sapo.

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