Aldeia global é o nome que eu mais ouvia quando entrei na faculdade. O bacana é que o psicólogo canadense Marshall McLuhan foi feliz em interpretar as relações humanas interligadas pela tecnologia mundo afora. O indivíduo globalizado. A teoria de um planeta sem fronteiras. O multirracial arranjado de forma geométrica numa sala de estar. McLuhan entendeu que a criatura do novo milênio deve estar preparada para lidar com a fome do Tigre Asiático e a sonolência econômica grega. A mitologia emperrando influencia no modo de vida de diferentes nações. Apesar da distância física entre elas um burburinho de crise econômica ecoa por toda a aldeia. Daqui a exatamente dois anos viveremos no Brasil, a babel do esporte. O mundo da bola em terras tupiniquins vai nos dar a ideia dessa aldeia só que com um idioma, o do futebol.
O Brasil se prepara para receber essa massa de braços abertos. A casa passa por uma faxina geral. Lembro-me da minha avó arrumando tudo na casa dela para receber os que chegavam para a ceia no fim do ano. A copa do mundo de 2014 pode ter a motivação torpe de integração humana ou o fenômeno esportivo, mas também está em jogo, detalhes do mercado internacional, as relações afetivas de países do oriente médio, o petróleo, a soberania de Israel à desleal concorrência chinesa. O que vamos ver aqui não ocorria na casa da minha avó.
A copa do mundo vai estar cercada de mecanismos diplomáticos. Montar este quebra-cabeça certamente não é fácil. Tem muita história, dinheiro e política em jogo. Imagine a seleção Alemã, hospedada num hotel de judeus. Os caras vão ficar num mal -estar daqueles. A seleção francesa ir parar no norte aonde chegou a colonizar por certo tempo até ser enxotada das terras pela Holanda é um fato e pode ocorrer. A Itália certamente ficaria em São Paulo ou Minas Gerais, por motivos óbvios os italianos pensam que aqui é “A Terra Nostra” deles. Os portugueses em mil e quinhentos e lá vai bordoada, descobriram o que todo o mundo sabe, terra de ninguém, eles desembarcam com a promessa, Cristiano Ronaldo, e nada de trocar espelhos por especiarias. Ora-pois-pois. Torço para que eles se hospedem na terrinha para agente falar que os portugueses chegaram à Bahia. Paraguai, a seleção deles pode ficar em São Paulo próximo a Rua Vinte e Cinco de Março que nem vão notar a semelhança com Assunção. Ambientada mesmo deve ficar a Inglaterra na sede do Coritiba, time de Foot Ball do “Brazil”. A Espanha, atual campeã, pode ficar em qualquer parte, o povo é cigano. A Argentina, Los Hermanos queridos vamos mandar para a Amazônia pra que um mosquito daqueles grandes carregue o baixinho camisa dez, para longe. O Messias da bola, ultimamente, sente o peso da camisa alvi-celeste nas costas, mas é sempre bom prevenir.
A ideia de aldeia global funcionar mesmo, o que pega, é manejar toda esta gente de cultura e gosto distintos num lugar só, jeitinho brasileiro nem pensar.
Curti o texto.
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